Now Playing Tracks

Tocador de ilusões

Perdido nos versos passados, catados

Fechado por brilhos molhados, beijados

Tentado com a caneta do lado e o violão

Tentando escrever pra acabar com a solidão

E a foz da voz que você deixou, apareceu

O algoz dos nós das escadas dos becos

Das vielas secretas que permutam o pensamento

E o cheiro agourento de cor

Não passa de um simples temor

De esmeros que você deixou

Puros disfarces, que você chamava de amor

E agora a sociedade me condena

O mundo me chama de vagabundo

Ninguém entende, nem sente pena

Das suas mentiras, dos seus sorrisos sujos

E agora difamado, mudado, fechado

Excluso da ignorância da metrópole

Você tem sorte de não viver mais aqui

E eu tenho sorte de não te ter perto de mim

Facetas do Blues, acorde trocado

Eu quero mais luz e um solo beijado

Personificando, testando, gritando

Deixando o som fluir, agir

E correr do violão pro coração

Ou então…

Eu deixo isso pra lá e vou correr minhas vidas

Pelas estradas com o violão nas costas

Passando por vielas há muito esquecidas

E as vidraças vermelhas, sem telhas, as lojas

Sem tempo, sedento, mexendo no medo do vento

É assim que eu vou embora

E agora é que dá vontade de voltar

A Caixa

Dentro da caixa eu guardava o passado

Que eu tentava esconder de você, pra que?  

As cartas beijadas e as fotos marcadas

De versos que um dia eu escrevi, por quê?  

Eu fitava a caixa e recordava uns momentos

Os sorrisos de um verão de anos atrás

O passeio de outono ao seu lado, suas folhas e ventos

Dias que eu queria viver mais

Fotos se misturavam com papeis coloridos

Pequenos bilhetes, palavras perdidas

Seu brilho molhado, surrado, trancado

Jogado no chão

E agora tudo ilusão  

Minha vida perdida, meus versos ruins

Ideias sem ideias, razão sem razão

Sorrisos vazios, acordes vis

Copos quebrados de um escuro coração

Quer saber?

Eu não vou mais arrumar a caixa

Vou abandoná-la aqui, deixá-la com você

Pois ela é traiçoeira, só me faz sofrer  

Chove Chuva

Por entre o riso dos pingos da chuva

E o ar que sopra uma nota singela

Palavras avulsas ficam presas na gaiola

Que às vezes parece uma simples janela

 

Eu fico parado, vidrado, pensando

Na chuva que cai com a clareza da vida

Quem dera, ela não pudesse curar

Saudades de uma tarde agora esquecida

 
Chove chuva, limpa minha mente
 
Doente, carente, pelo visto inconsequente

Expulsa as lembranças daquele tempo bom

E deixa alguma coisa consistente

Um rastro eloquente de um milhão de anos atrás

 

De repente os pingos se tornam tempestade

Assustando todas as crianças da cidade

A garoa inocente ficou no passado

E agora era só a voraz voracidade

 

Eu não quero mais ficar aqui

Onde a chuva deseja me iludir

Onde os pingos da chuva acabam em prantos

Onde o vento de outrora corre os campos

 

Chove chuva pra longe de mim

Agora eu quero o brilho do sol

Chove chuva

 

Mais ela não cessa, não desiste

Persiste ate o fim

Com a escuridão do lado

E um trovão rugindo alto

Não sai de perto de mim

 

Não quero mais o desalento

Não vivo mais sozinho no relento

Não espero mais pela brisa da chuva

Espero pelo sol que me descubra

 

Agora eu quero o brilho do sol

Chove chuva

Eu quero ver o arco-íris

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